terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Still Alice

A menos de um mês da cerimónia de entrega dos Óscares, já se conhecem os nomeados. Boyhood, The imitation game, The theory of everything, American Sniper, Foxcatcher e Whiplash são alguns dos filmes cujo visionamento é obrigatório. 

Tendo visto grande parte dos nomeados e conhecendo os argumentos da parte que ainda não vi, atrevo-me a dizer que a maioria dos filmes é do género drama e, para além disso,  adaptada de livros ou baseada em histórias verídicas.

Não tendo ainda tempo para escrever sobre os restantes nomeados, assim que saí do efeito transe por que passei após ter visto o Still Alice senti que tinha de criticar este filme e refletir sobre a temática do mesmo, aproveitando o facto de a memória da sua visualização ainda estar fresca.

Antes de mais, para quem nunca ouviu falar sobre este filme, aqui fica o trailer que, por si mesmo, já dá a entender a carga emocional ligada a esta história. Acrescento, também, uma das músicas que fazem parte da banda sonora.




Agora que as apresentações já foram feitas, passemos, então, à crítica.

Numa primeira leitura da sinopse e visualização do trailer, pode-se pensar que este filme trata, apenas, do tema Alzheimer. No entanto, enquanto se vê o filme, cedo se percebe que este aborda muito mais assuntos, tais como a importância da vida e a sua efemeridade, a família, o amor e, sobretudo, a noção de tempo, de identidade e de personalidade. À medida que somos embrenhados na teia que a personagem principal, Alice, tece sem o querer, um sentimento angustiante de impotência aparece, na medida em que sabemos qual o modo como, inevitavelmente, a história vai decorrer. Por outro lado, a luta por parte de Alice pela ligação consigo mesma e pelas suas memórias acaba por se tornar fascinante e comovente, nascendo, assim, um sentimento ambíguo de fascínio- angústia. 

Tudo isto não seria possível se  Julianne Moore (Alice) não tivesse interpretado a personagem de modo a esta parecer o mais real possível pois, caso não o conseguisse, na minha opinião, este filme teria sido um total fracasso, não havendo salvação para o argumento nem para a realização. Esta última não deve ser esquecida, sendo que os realizadores tentaram, com sucesso, fazer com que fosse possível o espetador se ligar a todas as  personagens, percebendo cada uma das suas aflições, visto que, mesmo através dos planos que nos são dados, vamos visionando o filme sob várias perspetivas.

Still Alice é um daqueles filmes que todas as pessoas deveriam ver, tanto pela interpretação de Moore, como por ser uma fonte proporcionadora de momentos reflexivos, inspiradores e de conhecimento sobre uma doença que, infelizmente, faz parte da realidade de muitas famílias. 

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